No Brasil existe uma “cultura do coitadinho” que está nos levando cada vez mais pro fundo do buraco. Perdeu-se completamente a noção do correto, do justo e inverteram-se todos os valores. Não importa mais se você anda sempre dentro da lei e cumpre todas as suas obrigações. Em alguns casos você vai estar SEMPRE errado. Sempre!
Olha o que aconteceu. Uma fábrica pequena seguia produzindo seus produtos normalmente. Ela adotava todas as regras de segurança exigidas e seguia padrões na operação das máquinas para evitar acidentes. Um dia, um funcionário que já estava acostumado com o maquinário, resolve tomar um atalho para cumprir uma tarefa, desrespeita todas as normas de segurança e regulamentos internos da empresa e faz uma burrada tremenda. Resultado? Perdeu dois ou três dedos de uma das mãos.
A empresa prontamente socorreu o funcionário, arcou com todas as despesas médicas, pagou operação e tudo o mais. O funcionário se recuperou (na medida do possível) e voltou a trabalhar normalmente, mesmo com a mutilação.
Passam alguns anos e o funcionário resolve processar a empresa e pede quase CEM MIL REAIS de indenização. Sabe o que me revolta? Ele pode até não conseguir toda essa quantia, mas com pelo menos uns trinta mil reais ele vai sair.
Vamos recapitular. O sujeito desrespeita as regras, descumpre as normas de segurança, coloca sua própria vida em risco, é mutilado e depois de tudo isso resolve culpar a fábrica?
Na minha cabeça o certo seria a empresa processar o cidadão, demiti-lo por justa causa e cobrar na justiça todo o dinheiro gasto no tratamento médico, além do dinheiro perdido por ter parado a produção durante o tempo em que estavam socorrendo o sujeito. Isso seria correto!
Direitos devem ser (e são) acompanhados de deveres, mas no Brasil quando se trata da relação patrão/empregado essa lógica não existe. Nesses casos o empregado está sempre certo, é sempre a vítima. O patrão é sempre o explorador, malvado e tirano que quer tirar o sangue dos funcionários por puro prazer.
Não importa que o dono da fábrica tenha nascido pobre e passado grande parte da sua vida no sítio. Não importa que ele tenha trabalho desde criança pra ajudar em casa. Não importa que ele tenha conseguido tudo o que tem com muito, mas muito trabalho mesmo, durante uma vida inteira. Não importa que ele dê emprego a dezenas de famílias, que pague todos os seus impostos em dia, que cumpra suas obrigações religiosamente e que ajude dezenas de pessoas simplesmente porque, agora, ele pode. Não importa, sequer, que a família inteira desse funcionário dependa da tal fábrica diretamente, pois todos trabalham por lá.
É revoltante saber que um boçal desses possa conseguir tanto dinheiro por ter desrespeitado todas as regras e ter cometido erros que, além de mutilá-lo, colocaram a vida dos seus próprios colegas em risco!
Bom, o que mais se podia esperar de um país onde o Presidente da Repúlica se aposentou aos vinte e poucos anos de idade porque perdeu o dedo mindinho de uma das mãos?






4 Comentários
Rics, acho que não é bem assim. Em 2007 e 2008, fui testemunha em um processo trabalhista movido por um ex-funcionário que eu supervisionava. A ação também dizia que eu, entre outras pessoas, o maltratava. De longe, qualquer um pensaria que ele era, de fato, vítima na história toda e que eu era, desculpe a expressão, um tremendo “filha da puta”. Mas os juízes estão mais do que acostumados com gente que quer apenas tirar proveito da situação.
A empresa ganhou o processo logo na primeira audiência e, em conversa com a advogada que a defendia, soube de vários outros casos de “aproveitadores” que a processaram e se deram mal. De acordo com a advogada, se a empresa age corretamente e oferece um local de trabalho seguro e adequado às leis, tal como a fábrica que você descreve, dificilmente terá problemas.
Se o dono sabe que sua empresa fez e faz tudo para ser correta, deve apenas se preocupar em procurar um bom escritório de advocacia e, acredite, confiar no judiciário. Juiz sabe distinguir coitado de safado.
Legal saber disso. Vamos ver que é que vai acontecer aqui, depois se der eu conto o desenrolar da história toda.
Ah, só um detalhe: fui testemunha em 2008, não sei porquê coloquei 2007 no meu comentário…
É Flórida! Eu não perdi o dedo mindinho, mas perdi os movimentos dele em um acidente envolvendo moto e linha de pipa com cerol (eu estava na moto). E continuo trabalhando sem problemas…
E já vi pessoas em condições muito piores não fugir da labuta.
Enfim, cada nação tem o presidente que merece. Infelizmente…